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CONVERSA SOBRE A IMPORTÂNCIA
DA ROTINA
Há alguns dias eu coordenava uma dinâmica
em grupo para pais em uma escola tradicional de São Paulo
e ouvia queixas tais como: "meu filho fica até alta madrugada
conversando pelo computador, depois não consegue levantar
para ir à escola"; "meu filho nem toma conhecimento das
lições de casa"; "meus filhos estão engordando |
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muito, só comem o que
querem"; "eu tenho uma filha que quer brincar o dia todo
na escola, tenho recebido reclamações" etc.
Dei-me conta de que era rotina ouvir essas queixas, tanto
no consultório quanto no convívio social.
Críticas sobre a falta de regras, de disciplina,
de organização, ou seja, sobre a absoluta
falta de rotina da geração dos “filhos
da democracia, da ruptura da família tradicional
e da era digital”, parafraseando a jornalista Rita
Loiola.
Parece que os jovens de hoje estão sendo educados
com o conceito de que a rotina é algo nefasto e
enjoativo, que deve ser evitado a qualquer custo. Poucos
parecem perceber que, na verdade, a rotina é o
sustentáculo da própria liberdade –
porque só através da dedicação
paciente e contínua que o ser humano pode explorar
adequadamente suas potencialidades. A rotina é
fundamental na organização da vida de cada
ser, é o eixo estruturante através do qual
nos desenvolvemos e nos configuramos como ser gregário
que somos.
Se tomarmos o termo “rotina” por mera repetição
mecânica de atos, sem consciência, realmente
não teremos resposta mais adequadas dos jovens.
Assim, vejamos a rotina como atos introjetados através
de experiências de vida, erros, acertos e descobertas.
Durante a formação da criança, possui
singular relevância a prática reiterada de
hábitos a partir dos modelos paternos e sociais.
A rotina é uma organização consciente
que a criança apreende desde o nascimento e que
se inicia com o exemplo de ações ensinadas
pelos pais, fazendo junto e cobrando suas repetições.
O exercício da rotina deve ser iniciado através
das práticas mais simples, tais como horários
para dormir e acordar, cuidados com alimentação
e higiene etc. Progressivamente, a criança é
condicionada à disciplina e organização,
arrumando brinquedos e objetos pessoais, até que
tenha condições para selecionar a utilização
do seu tempo; nessa fase, aprender a utilizar uma agenda
pode ser de grande valia.
É preciso ter muita paciência. Nenhum filho
incorpora com facilidade uma nova rotina. A interiorização
da disciplina é um processo lento, a partir de
um constante aprendizado junto aos pais, através
da imposição de regras. A melhor forma de
aprender ainda é através do exemplo. A criança
evolui naturalmente quando entende seu papel em uma casa
organizada, com regras claras de condutas constantemente
explicadas e cobradas pelos pais, que ainda são
os educadores por excelência dos seus filhos.
É sabido que o corpo necessita de rotina para seu
funcionamento adequado. Da mesma forma, a mente precisa
de tempo e calma para organizar o pensamento lógico,
que reúne elementos, avalia cenários e toma
decisões. O processo acadêmico, portanto,
se desenvolve a partir de rotina para os estudos, de forma
que basta a sua carência para comprometer significativamente
o processo de aprendizagem do jovem, além de afetar
sua integridade emocional. Ora, a espontaneidade nunca
deixará de ser um valioso ativo – mas nada
se constrói sem disciplina e organização.
Julho/2010
Tânia Freitas
tania@abcdislexia.com.br |
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